O meu desenho é a letra.
Minhas tintas são gastas
Escorrendo pelo papel sem pauta.
Um tom de preto e branco
Com mil formas de vermelho.
Cores de um emaranhado,
Uma teia,
Um amontoado de fios,
Um excesso de sentimentos
A se derramar na minha arte
Por um lápis grafite..
Um lápis que transporta as palavras douradas
Do amor que flui em mim como água de rio.
Um desmoronamento das minhas encostas,
Uma enxurrada que leva meu coração
Vida a fora e que me faz transpor minhas próprias margens.
Uma chuva celeste como desdobramento de tanto sentimento
Brotado
Nascido
Crescente.
Um transbordamento do ser que não cabe mais em si
E se derrama no outro.
Ione Camelo
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