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Mostrando postagens de 2011

Escolhas

O cérebro humano oscila todo o tempo entre a razão e a emoção. A sabedoria real que o homem desenvolve é a administração desse conflito. Por todo o tempo essa forma beligerante de ser  do cérebro precisa ser administrada  para que haja equilíbrio. Ah! A tão sonhada paz que o equilíbrio traz... E tão difícil e sonhada escolha permanente da razão... E esse meu cérebro tão dúbio.. E essa vida tão dúbia... E esse dia tão ensolarado que me faz só emoção quando olho pela janela E essa minha consciência moral me chamando para o prazer da obrigação no trabalho... Ione Camelo

Meu momento de agora

Estou feliz! Feliz e sentindo todo o meu ser exatamente naquele momento que antecede os tornados...  Uma ventania que faz tudo voar, que tira tudo  do lugar... Esse é o meu momento... Todos os sentimentos misturados dentro de mim... A dois passos - enfim! - do paraíso. Tornado? Paraíso? (Loucura) Não! Realidade! A loucura é a escolha fácil dos fracos que se rendem. Eu luto! Olho para mim hoje, agora, nesse dia gelado de início de inverno e me vejo exatamente como estou, como sou. Estou assistindo meu próprio tornado. Um pouco como aqueles loucos caçadores de tempestades  e um pouco com a excitação de passar por ele e saber o que virá depois..  Descobrir o que há além de mim mesma. Estou nesse tornado agora, mas há vida além de mim mesma.  Estou tão certa disto, que me permito esse turbilhão de sentimentos... deixo que venha à tona... sinto tudo! E depois me percebo mais forte, mais humana, mais leve...  Minha vida se desliza como a um...

Memories

Tudo que penso parece estar impregnado daquele teu abraço que é eterno e único. Lentamente deixo-me levar por momentos memoráveis em teus braços... Ione camelo

Presença

    Têm sido tão diferentes os meus dias! Por mais que minhas ações só se adéqüem aos poucos às minhas decisões, meu olhar é tão outro para o homem, para o mundo, para a vida! Firmo agora os meus pensamentos na direção que meu coração deseja andar. Diferentes situações se me apresentam e eu vou aceitando, mudando, escolhendo, adequando, agindo. Não tenho mais deixado ao acaso aquilo que desejo realizar. Escolho e sigo! As conseqüências de minhas escolhas são agora mais próximas, mais possíveis, mais esperadas e quase – por assim dizer – palpáveis. É mesmo um escolher plantar e escolher colher. Ione Camelo Outono/2011

Os meus "eus"

Clarice Lispector usou "a terceira perna" para demonstrar seus outros "eus". Eu usei máscaras e personagens. Distintos, diversos, outros. E, apesar de serem todos descartáveis, momentâneos, de utilidade breve, deixaram em mim pedaços esparsos, fragmentos que fui incorporando mesmo sem saber ou querer. É que esses personagens tinham cada um, um pouco do que sou; ainda que eu não soubesse ao certo que era. E esses vários personagens em suas múltiplas vivências, confundiam-me a mim, quando de suas ausências. Parecia-me faltar uma parte. Então, quando tentava aquietar-me apenas comigo mesma, me era impossível fazê-lo porque não me encontrava. Estava tão misturada aos meus personagens vários que, o que imaginava ser, não era visível, perceptível facilmente. E quanto mais mergulhava no desejo de estar comigo, mas diversa e fragmentada me percebia. Insistia, pois, numa espécie de luta comigo mesma. Uma luta da razão, do desejo de assumir quem eu era verdadeiramente e da n...

Minha arte é a letra

O meu desenho é a letra. Minhas tintas são gastas Escorrendo pelo papel sem pauta. Um tom de preto e branco Com mil formas de vermelho. Cores de um emaranhado, Uma teia, Um amontoado de fios, Um excesso de sentimentos A se derramar na minha arte Por um lápis grafite.. Um lápis que transporta as palavras douradas Do amor que flui em mim como água de rio. Um desmoronamento das minhas encostas, Uma enxurrada que leva meu coração Vida a fora e que me faz transpor minhas próprias margens. Uma chuva celeste como desdobramento de tanto sentimento Brotado Nascido Crescente. Um transbordamento do ser que não cabe mais em si E se derrama no outro. Ione Camelo

Meus erros

Meus erros podem até me prender um pouco nas suas brutais conseqüências, mas o desejo de continuar tentando acertar me projeta para buscar o novo, o inédito, o incrível, o indescritível, o intangível... a liberdade. Meus erros podem até me sufocar um muito, mas eu respiro com força e corro e forço os pulmões a bombear oxigênio pelo meu corpo inteiro e respiro e transpiro e continuo buscando o ar que me dá vida e me faz equilibrar novamente o sangue que me corre nas veias. Meus erros podem até me comprimir dentro da minha cabeça, mas o meu pensamento se eleva até o mais alto dos céus que posso alcançar e se transforma de uma maneira miraculosa e então encontro novamente o espaço necessário em minha mente para caber tudo o mais que necessito saber e ver para viver e aprender. Meus erros podem até me paralisar, mas meus ossos gemem e minhas articulações gritam e então meus músculos parecem se agitar por si mesmos num movimento que me impulsiona, me joga para frente e saio por aí sem ...

Amor

Era sempre uma relação de amor e ódio. É como se se pudesse bebê-los no mesmo cálice. Apesar de alguns afirmarem ser o ódio irmão gêmeo do amor, para mim não se provará (ao menos) que são univitelinos. Porque o amor nasce da disposição que se desenvolve para aceitar o outro, mas o ódio é negação extrema do outro (e de si). O amor faz florescer atos de comunhão, pacificidade, bondade; o ódio cega, escraviza e maltrata. O amor é o pêndulo que aponta o equilíbrio do homem consigo mesmo; o ódio é a faca amolada que divide o home em partes desiguais. O amor é a essência imiscível e única  que cada um tem dentro de si; o ódio é o caldeirão efervescente das injúrias e baixezas plantadas no ser. O amor leva o homem a apreciar a obra divina, o ódio o faz destruí-las. O amor tem conexão com Deus; o ódio corta a linha dessa ligação. O amor restabelece as forças desgastadas pelo ódio, regenera o coração ferido, o corpo debilitado pela ação avassaladora do ódio. O amor aponta para o que há de m...

As Camadas do Ser - II

A busca por se ser quem ser é é que leva o homem a perceber as fendas abertas entre as camadas do ser. São esses compartimentos que guardam as fragilidades do coração humano. Nesses espaços se instalam as fraquezas que faz com que o homem reveja-se a si mesmo, pare de observar a direção para onde caminha e se reposicione diante do mundo e de si. Quando em tristeza e solidão o homem experimenta as cinzas resultantes dos vícios e deseja ardentemente a polpa doce da virtude. Quando abandonado e rejeitado o homem se vê obrigado a encontrar-se e aceitar-se. É nesse estado de vazio do mundo que ele é levado a optar por encher-se de si; e quando vazio de si, cheio da essência divina, tomado, inundado pelo amor. Ione Camelo

As Camadas do Ser - I

É um estar transitório numa segunda instância de si mesmo. Como se fôssemos formados por camadas várias que se interpõem e sobrepõem-se. E fica-se, sente-se na que se sobrepôs então. A suposta necessidade de controlar a dança, a mutação das camadas é o que traz o desgaste nevrálgico. Busca-se em vão o controle, tenta-se o equilíbrio e as forças se esvaecem... Longe está de se combinar as camadas porque o que se tenta mesmo é suplantar todas por uma, quando o necessário é compreender a razão de cada uma; é necessário buscar a aceitação do que ocorreu quando da evidência de cada uma sobre as outras, e a junção de todas; a mistura qualitativa de todas as quantidades do ser e a feitura da própria essência. Apenas o que se permite esse caminho, essa aceitação atinge o apogeu da essência própria, imiscível. Ione Camelo

Descoberta

A vida vai passando, se encaixando nos moldes que não desenhamos, nos trazendo cortes que não escolhemos e os resultados de nossas escolhas vão nos destruindo, nos refazendo, nos transformando. Ione Camelo 2007

Sonolência

O sol já está a brilhar. Mas eu... eu estou com sono. A relva se dissipa ao sol. Mas eu... eu estou com sono. E durmo. E rolo e viro e me reviro na cama como se o único lugar possível no mundo fosse meu colchão e o único aconchego provável meu cobertor. E o calor único no frio que começa fosse o meu próprio que aquece as cobertas e as fronhas e o colchão e o meu quarto. E o meu quarto fosse o único mundo possível para mim nesses dias... Esses dias cheios apenas de um infinito vazio... Dias curtos... vazios... Dias longos... Nem a monotonia é presente, senão a grande monotonia de ser eu mesma. Quisera ser uma outra talvez... Compor. Correr. Carregar-me com leveza do ser, do sentir, do estar, do permanecer, do mudar... Quiçá! A leveza de apenas viver. Ione Camelo JUN/10

Sobre minha família

Às vezes penso nas razões várias pelas quais Deus me permitiu e permite viver distante da minha família... Estou revendo minha vida desde o início e vejo claramente como me rebelei contra as regras da minha família... Eu era tão descontente com a forma de educação da minha casa, com a forma de relacionamento que tínhamos... com tantas diferenças que eu não podia compreender... e me sentia tão diferente deles em tantos aspectos que achei que pudesse viver sem eles por um tempo... Essa ligação consangüínea é mais forte que qualquer coisa e isso eu sei que é de origem divina... Tive clareza sobre isso quando li certa vez: “- Você pode até não saber ou não gostar da sua família, mas Deus sabe porque escolheu que você fosse exatamente parte dela.” Hoje eu agradeço a Deus pela família que tenho... Deus sabe que me apegar à minha família mesmo com todas as dificuldades que encontramos, me fortalece, me anima e me faz melhor e me faz orar... Eu amo minha famíli...

Sobre minha solidão

Sobre minha solidão Quem sou eu se não apenas uma pobre e triste alma errante pelo mundo  em busca de um significado para a vida...  Esforçando-me para acreditar, crer, confiar, entregar minha vida  e todas minhas latinhas penduradas com o histórico de lutas e dores  e grandiosas gargalhadas da vida toda que tive até hoje,  nas mãos do meu Criador que me ama mesmo quando me rebelo e me distancio... Oh alma errante!  Por que te afliges com tua solidão?  Acaso não sabes tu que é a solidão mesma, essa companheira inseparável  de todos nós que te permite amadurecer os sentimentos e fortalecer o caráter? Aceita tua condição de solidão e viva!  Recebe tua solidão de peito aberto e cresça! Continue! Avante! A vida é mesmo essa luta contínua na busca do ideal de si mesmo.    Cada um sabe o que busca.  Cada um sabe o que deseja.  Até mesmo quando não se permite ver seus anseios e desejos, sabe-se de si. Ione Camelo 25 mar 11

Palavras

Tantas palavras me visitaram a mente nos momentos entre a vigília e o sono! E eu as deixei povoar minha mente até adormecer inundada de uma deliciosa magia, sonhando que lembrar-me-ia de cada uma delas quando abrisse os olhos depois do sono. Ao acordar minha mente estava vazia... e todas aquelas palavras voadoras no meu universo mental devem ter se assentado em algum lugar da minha memória e só levantam vôo novamente aos poucos e se apresentam separadas, coloridas, loucas, lindas.. não resisto e as resgato desse vôo, para prendê-las na minha cadernetinha cor-de-rosa. Ione Camelo

Resgate

É um estar apartado do mundo e apegado a si numa espécie de encantamento consigo mesmo e com o amor. Um amor a si como deslumbramento. Uma nudez do ser revelada para si num cenário  de mil formas e cores e encanto e lágrimas. Um rompimento com a companhia desacompanhada do mundo. Uma solidão acompanhada do descobrimento. O descobrimento do mar do ser; do oceano interior; dos barcos naufragados nesse mar que é a vida; do lixo depositado nas águas do ser. O momento em que o encontro consigo, o olhar para si, traz, revela a grande fábrica de reciclagem do lixo interior. É o instante em que se torna possível o resgate do amor e da estima - componentes únicos e insubstituíveis do sistema interno que passa a operar em prol da regeneração do ser. por Ione Camelo

Rabiscos

Me aproprio de tal maneira de meus livros e revistas, que os rabisco e neles escrevo tudo o que se passa em minhas reflexões; seja por sublinhas, seja por palavras soltas, seja por grifos e gritos... marco a mim mesma, páginas a fio daquilo que leio e vou escrevendo nessa leitura diversa, o meu próprio livro da vida. Ione Camelo

Mundo

Enquanto escrevo parece que o mundo é apenas um grande baile em segundo plano. Meu alheamento ao mundo é tal , que se sua metade caísse ao derredor, eu somente ouviria mais um ruído. Ione Camelo

Evolução

Vivemos em outra época mas os problemas humanos são tão os mesmos! Pergunto a mim mesma se o homem é mesmo tão mutável assim... Ao mesmo tempo em que parecemos mudar continuamente, parece também permanecemos tão iguais! É como se fôssemos "semi-prontos" e só evoluíssemos um pouco, um certo percentual do nosso total possível de evolução, e ainda, uma evolução que leva a vida toda , que acontece muito lentamente. Ione Camelo

Intempestivo

Olhava sempre com aquele olhar perdido na indecisão. Havia em seus pensamentos uma indiferença involuntária à tudo e a todos. Sentia que era preciso mudar o olhar sobre si para então ver o mundo de outra maneira. Refletiu noites a fio, dias inteiros, horas pela metade. Na segunda-feira comprou um par de lentes azuis e o mundo ao redor lhe parecia sorrir desde então. Ione Camelo