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Mostrando postagens de abril, 2011

Meus erros

Meus erros podem até me prender um pouco nas suas brutais conseqüências, mas o desejo de continuar tentando acertar me projeta para buscar o novo, o inédito, o incrível, o indescritível, o intangível... a liberdade. Meus erros podem até me sufocar um muito, mas eu respiro com força e corro e forço os pulmões a bombear oxigênio pelo meu corpo inteiro e respiro e transpiro e continuo buscando o ar que me dá vida e me faz equilibrar novamente o sangue que me corre nas veias. Meus erros podem até me comprimir dentro da minha cabeça, mas o meu pensamento se eleva até o mais alto dos céus que posso alcançar e se transforma de uma maneira miraculosa e então encontro novamente o espaço necessário em minha mente para caber tudo o mais que necessito saber e ver para viver e aprender. Meus erros podem até me paralisar, mas meus ossos gemem e minhas articulações gritam e então meus músculos parecem se agitar por si mesmos num movimento que me impulsiona, me joga para frente e saio por aí sem ...

Amor

Era sempre uma relação de amor e ódio. É como se se pudesse bebê-los no mesmo cálice. Apesar de alguns afirmarem ser o ódio irmão gêmeo do amor, para mim não se provará (ao menos) que são univitelinos. Porque o amor nasce da disposição que se desenvolve para aceitar o outro, mas o ódio é negação extrema do outro (e de si). O amor faz florescer atos de comunhão, pacificidade, bondade; o ódio cega, escraviza e maltrata. O amor é o pêndulo que aponta o equilíbrio do homem consigo mesmo; o ódio é a faca amolada que divide o home em partes desiguais. O amor é a essência imiscível e única  que cada um tem dentro de si; o ódio é o caldeirão efervescente das injúrias e baixezas plantadas no ser. O amor leva o homem a apreciar a obra divina, o ódio o faz destruí-las. O amor tem conexão com Deus; o ódio corta a linha dessa ligação. O amor restabelece as forças desgastadas pelo ódio, regenera o coração ferido, o corpo debilitado pela ação avassaladora do ódio. O amor aponta para o que há de m...

As Camadas do Ser - II

A busca por se ser quem ser é é que leva o homem a perceber as fendas abertas entre as camadas do ser. São esses compartimentos que guardam as fragilidades do coração humano. Nesses espaços se instalam as fraquezas que faz com que o homem reveja-se a si mesmo, pare de observar a direção para onde caminha e se reposicione diante do mundo e de si. Quando em tristeza e solidão o homem experimenta as cinzas resultantes dos vícios e deseja ardentemente a polpa doce da virtude. Quando abandonado e rejeitado o homem se vê obrigado a encontrar-se e aceitar-se. É nesse estado de vazio do mundo que ele é levado a optar por encher-se de si; e quando vazio de si, cheio da essência divina, tomado, inundado pelo amor. Ione Camelo

As Camadas do Ser - I

É um estar transitório numa segunda instância de si mesmo. Como se fôssemos formados por camadas várias que se interpõem e sobrepõem-se. E fica-se, sente-se na que se sobrepôs então. A suposta necessidade de controlar a dança, a mutação das camadas é o que traz o desgaste nevrálgico. Busca-se em vão o controle, tenta-se o equilíbrio e as forças se esvaecem... Longe está de se combinar as camadas porque o que se tenta mesmo é suplantar todas por uma, quando o necessário é compreender a razão de cada uma; é necessário buscar a aceitação do que ocorreu quando da evidência de cada uma sobre as outras, e a junção de todas; a mistura qualitativa de todas as quantidades do ser e a feitura da própria essência. Apenas o que se permite esse caminho, essa aceitação atinge o apogeu da essência própria, imiscível. Ione Camelo

Descoberta

A vida vai passando, se encaixando nos moldes que não desenhamos, nos trazendo cortes que não escolhemos e os resultados de nossas escolhas vão nos destruindo, nos refazendo, nos transformando. Ione Camelo 2007

Sonolência

O sol já está a brilhar. Mas eu... eu estou com sono. A relva se dissipa ao sol. Mas eu... eu estou com sono. E durmo. E rolo e viro e me reviro na cama como se o único lugar possível no mundo fosse meu colchão e o único aconchego provável meu cobertor. E o calor único no frio que começa fosse o meu próprio que aquece as cobertas e as fronhas e o colchão e o meu quarto. E o meu quarto fosse o único mundo possível para mim nesses dias... Esses dias cheios apenas de um infinito vazio... Dias curtos... vazios... Dias longos... Nem a monotonia é presente, senão a grande monotonia de ser eu mesma. Quisera ser uma outra talvez... Compor. Correr. Carregar-me com leveza do ser, do sentir, do estar, do permanecer, do mudar... Quiçá! A leveza de apenas viver. Ione Camelo JUN/10