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Meu olhar sobre mim



Meu olhar sobre mim

Antes eu olhava para mim com os meus próprios olhos, manchados com os erros diversos que cometi ao longo da jornada; poluídos e manchados com as culpas que eu carregava no meu íntimo.
Com dificuldades e apenas de vez em quando, alcançava discernimento, com a ajuda do Eterno.
Meu olhar era cheio de manifestações do meu entendimento pervertido pelas mágoas, rancores, dúvidas, falta de fé, arrogância, prepotência e ausencia de beleza.
Minhas emoções doentes, sempre me levavam para o lugar das compensações nos prazeres vis; 
da justifica em lugar de confissão; 
de remediar em vez de me permitir a cura; 
de condenar e me afastar, quando era convidada a perdoar e permanecer.
Os sentimentos que comandavam a minha existência eram a rebeldia, justificada pela rejeição que sentia, a vingança, a ira, a impaciência, o imediatismo, a luxúria, a ganância.
Meu olhar estava centrado na autopiedade e na autopunição - como se essas façanhas do ignorante comportamento humano, fossem capazes de promover cura e devolver a liberdade interior.
Meus olhos se deleitavam na beleza do que podia ver, mas eram cegos para ver a verdadeira beleza da vida.
Os véus que cobriam a minha visão e não me permitiam ver a mim, como verdadeiramente sou, a Deus como verdadeiramente é, e ao outro como é em essência, foram sendo removidos pelo entendimento, pela entrega no sofrimento profundo, pela permissão de ser transformada, pela luzinha temerosa de uma fé que foi aumentando e ganhando força...
Cada véu retirado pelo Eterno, me permitia ver além, com mais confiança. E isso foi permitindo que nascesse em meu coração o amor genuíno.
Toda uma jornada de vida, poluída por um entendimento distorcido, uma visão pervertida, por sentimentos tenebrosos, por comportamentos transviados, por palavras malditas. 

E amorosamente transformada para uma vida de amor e gratidão continuados.

Ione Camelo
2019.

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