Era sempre uma relação de amor e ódio.
É como se se pudesse bebê-los no mesmo cálice.
Apesar de alguns afirmarem ser o ódio irmão gêmeo do amor,
para mim não se provará (ao menos) que são univitelinos.
Porque o amor nasce da disposição que se desenvolve
para aceitar o outro,
mas o ódio é negação extrema do outro (e de si).
O amor faz florescer atos de comunhão,
pacificidade, bondade;
o ódio cega, escraviza e maltrata.
O amor é o pêndulo que aponta o equilíbrio
do homem consigo mesmo;
o ódio é a faca amolada
que divide o home em partes desiguais.
O amor é a essência imiscível e única
que cada um tem dentro de si;
o ódio é o caldeirão efervescente das injúrias
e baixezas plantadas no ser.
O amor leva o homem a apreciar a obra divina,
o ódio o faz destruí-las.
O amor tem conexão com Deus;
o ódio corta a linha dessa ligação.
O amor restabelece as forças desgastadas pelo ódio,
regenera o coração ferido, o corpo debilitado pela
ação avassaladora do ódio.
O amor aponta para o que há de mais nobre no ser;
o ódio aponta para o desvario.
O homem com amor encontra-se consigo mesmo
e com Deus;
o homem que se deixa envenenar pelo ódio,
perde-se e vagueia sem destino.
Enfim
o amor é a essência doce e apreciável do Criador em nós
e o ódio é a rejeição da essência própria
resultante do milagre concedido ao homem
de viver - de viver com plenitude.
Ione Camelo
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